DOMINGOS
OLIVEIRA DE SOUSA
Sei que o
mundo no qual vivo encontra-se em processo de derretimento. Não se trata do
aquecimento global. Acredito que o aquecimento global faz parte do desmonte de
mundo do qual eu faço parte. Este é a interpretação de Bauman em Modernidade
Líquida e concordo com ele.
Os ecologistas
têm lá, tanto e outros, motivos para chamar à atenção sobre os poluentes no ar,
mares, rios bem como nas florestas, contudo o formato de capitalismo que tem
sido imposto ao mundo, tem construído outras formas de existir do ser humano.
Não há diálogo com o outro, o sujeito local de vários espaços geopolíticos do
globo terrestre tem sofrido um cerceamento na sua forma de existir e o seu
direito à vida, a qualidade de vida.
Não se dá importância as consequências das políticas-econômicas
desenvolvidas sobre as populações de países periféricos como o Brasil entre
outros países da América Central, Caribe, América do Sul de forma geral, assim
como muitos dos 56 países africanos.
A manutenção
de modelos de vidas como a estadunidense já penaliza muito deles. Como por exemplo
os “homelessness” já demonstra os efeitos danosos na própria potência econômica
de tal país.
O que se pode
imaginar ou esperar das periferias do mundo? Não muito, a não ser, a luta pela
sobrevivência. Talvez, não se tenha a ideia do todo, isto é, a ideia das
relações de causa e consequência com o descarte de lixo, das queimadas, da
poluição dos mares, enfim das atrocidades contra o meio ambiente cotidiano no
Brasil e no planeta. Aquilo que se percebe é que o meio ambiente humano é bem
mais predatório do que vem acontecendo com a fauna e flora. O canibalismo do civilizado,
articulado, culto, letrado. Este é o homem branco que produz vários estragos no
planeta terra; isto é, em toda a humidade, e, por via de consequência, em toda
a sustentabilidade humana.
O que há hoje
é descarte humano. Nem toda a elegância, nem todo perfume, nem toda roupa, ou traje
vai apagar o descaso que se tem frente ao descarte humano. De fato, perde-se a
sensibilidade do ser humano frente ao próprio ser humano. Mata-se. Exclui.
Impossibilita. Faz-se de tudo em nome do capital, dos interesses pessoais ou
dos interesses de um pequeno grupo em detrimento ao grande grupo. Os ecologistas
necessitam colocar na sua pauta aquilo que os sociólogos têm falado por muito
tempo. O ser humano é um animal racional e predatório com o seu similar. Esta é
também uma questão ecológica.
O tempo não se
repete como dizem os escritores, os poetas e os filósofos, entretanto lá vem...
2020... a impressão dada é que será uma reprise piorada do 2019... O pior ainda
está por ir. Ou... todos nós necessitamos construir um discurso/prática de
enfrentamento frente a este desmonte da sociedade que vivemos. Feliz 2020.
https://medium.com/@dommingos2/e-l%C3%A1-vem-2020-felicidades-de77ec7ef363
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