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... e lá vem... 2020 ... Felicidades!!!







                  DOMINGOS OLIVEIRA DE SOUSA                   

Sei que o mundo no qual vivo encontra-se em processo de derretimento. Não se trata do aquecimento global. Acredito que o aquecimento global faz parte do desmonte de mundo do qual eu faço parte. Este é a interpretação de Bauman em Modernidade Líquida e concordo com ele.
Os ecologistas têm lá, tanto e outros, motivos para chamar à atenção sobre os poluentes no ar, mares, rios bem como nas florestas, contudo o formato de capitalismo que tem sido imposto ao mundo, tem construído outras formas de existir do ser humano. Não há diálogo com o outro, o sujeito local de vários espaços geopolíticos do globo terrestre tem sofrido um cerceamento na sua forma de existir e o seu direito à vida, a qualidade de vida.

 Não se dá importância as consequências das políticas-econômicas desenvolvidas sobre as populações de países periféricos como o Brasil entre outros países da América Central, Caribe, América do Sul de forma geral, assim como muitos dos 56 países africanos.

A manutenção de modelos de vidas como a estadunidense já penaliza muito deles. Como por exemplo os “homelessness” já demonstra os efeitos danosos na própria potência econômica de tal país.
O que se pode imaginar ou esperar das periferias do mundo? Não muito, a não ser, a luta pela sobrevivência. Talvez, não se tenha a ideia do todo, isto é, a ideia das relações de causa e consequência com o descarte de lixo, das queimadas, da poluição dos mares, enfim das atrocidades contra o meio ambiente cotidiano no Brasil e no planeta. Aquilo que se percebe é que o meio ambiente humano é bem mais predatório do que vem acontecendo com a fauna e flora. O canibalismo do civilizado, articulado, culto, letrado. Este é o homem branco que produz vários estragos no planeta terra; isto é, em toda a humidade, e, por via de consequência, em toda a sustentabilidade humana.

O que há hoje é descarte humano. Nem toda a elegância, nem todo perfume, nem toda roupa, ou traje vai apagar o descaso que se tem frente ao descarte humano. De fato, perde-se a sensibilidade do ser humano frente ao próprio ser humano. Mata-se. Exclui. Impossibilita. Faz-se de tudo em nome do capital, dos interesses pessoais ou dos interesses de um pequeno grupo em detrimento ao grande grupo. Os ecologistas necessitam colocar na sua pauta aquilo que os sociólogos têm falado por muito tempo. O ser humano é um animal racional e predatório com o seu similar. Esta é também uma questão ecológica.

O tempo não se repete como dizem os escritores, os poetas e os filósofos, entretanto lá vem... 2020... a impressão dada é que será uma reprise piorada do 2019... O pior ainda está por ir. Ou... todos nós necessitamos construir um discurso/prática de enfrentamento frente a este desmonte da sociedade que vivemos. Feliz 2020.
https://medium.com/@dommingos2/e-l%C3%A1-vem-2020-felicidades-de77ec7ef363

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