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DIÁRIO DE LÚCIA: O MATADOR





      DOMINGOS OLIVEIRA DE SOUSA

Conheço algumas pessoas: algumas boas, outras não tão boas quanto parecem ser. Sei que Paulo estava matando Cecília. Matava aos poucos, não apenas como aquela ideia de pássaro na gaiola. Ele sempre ia além. Cortava cabelo. Dava chute nela. Fazia todo tipo de tortura. Cecília cada vez mais parecia um outra pessoa. Toda vez que a encontrava ela tinha uma estória diferente dos abusos contínuos de Paulo.


Tem um mundo onde transito que sempre se comportou acima da lei. A lei era o próprio Paulo. Então, Celília sabia que estava fodida. Sabia que não a mataria de fato, as ela já se sentia morta.


Fui a sua casa de praia durante a semana. Paulo estava por lá. Tinha negócios escusos. Ele não era e nunca foi honesto. Era este o problema. Paulo era um bandido travestido de mocinho. Sabia que ele tinha um lance com política e tráfico de drogas: pó. Daí por diante, Cecília não era a esposa, a mãe, a mulher, era refém em sua gaiola invisível.


Matar Paulo era a missão. Sair viva daquilo era quase impossível. Tinha que ser uma morte com cara de acidente. Ou ainda, procura os possíveis rivais, se de fato isto este sujeito existe, mas neste mundo de tráfico sempre tem alguém querendo aumentar os negócios e ocupar outros espaços.


Certa vez, à distância me disseram que aquele sujeito que passava na minha frente era um matador. Ele não parecia com 007, Jason Bourne ou outro qualquer de Hollywood. Ele era baixo, magro e mancava de uma berna. Como aquele sujeito poderia ser matador? Ele parecia entregador de pão. Vendedor de rua ou daqueles que entra em transportes coletivos vendendo qualquer coisa. 


Imagino que este não dê conta. Ou ainda, não estou levando a sério a capacidade deste matador. Soube que há gente preparada para matar aposentada. Estes estão acostumados com a morte. Matam e vão para casa cuidar dos filhos, beijam a mulher e tudo bem. Não sabia como chegar até eles sem deixar rastros do meu próprio caminho. Então, fiquei quieta.


Cecília falou no clássico veneno, mas Paulo vez por outra ou desconfiança de quem já aprontou muito oferece um pouco de comida para o cachorro comer. O cão come primeiro. Paulo come depois. Até aí, não tinha jeito. Cecília estava fodida por todo sempre.


Um amigo de Paulo foi preso. A casa de Paulo foi invadida pela Polícia Federal. Acharam pó em boa quantidade cerca de 200 kg. A imprensa falou alguma coisa, depois calou-se. O grupo do qual Paulo faz parte é muito forte. Cecília também foi presa. Paulo conseguiu sair da cadeia em uma semana… Cecília percebeu que as coisas tinham enfraquecido.


Sempre nos encontramos na praia na caminhada bem cedo… Quando eu não a vejo…. continuo caminhado na expectativa de encontrá-la.


- Encontrei uma pessoa. Disse a Cecília.


- Estou sendo observada por meu marido e pela PF. Faça o que tem que ser feito. Lembra do casa de minha avó. Tem dinheiro para pagar tudo. Eu sou a laranja vou voltar para cadeia. Quando eu for presa. Mate este filho da puta. Ela me abraçou e colocou uma chave na minha cintura. “Saia do país por um mês  e volte, quando estiver morto”. 


Paulo foi morto dentro de um banheiro de um centro comercial. As câmeras identificaram uma mulher velha e manca; entrar no banheiro feminino. Esta é a principal suspeita…





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