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A dançarina

Eu já tinha visto duas mulheres se beijando no cinema, na televisão e no Carnaval, precisamente, na praça Castro Alves. Sempre olhei para as lésbicas com algo interessante. Algo que me chamava a atenção por que havia uma sensação de eram mulheres que não queriam sair da esfera feminina, ou ainda, uma masculinização da mulher. Uma mulher que assumia a representação masculina e a outra que se mantinha feminina. Isto de alguma forma era curioso e intrigante.
Nunca olhei para um casal de dançarinas como uma casal de namoradas. Olhava para duas artístas. Na dança, as curvas se encontram e desencontram e se embalam na música que vem no ar, dando ao expectador toda uma sensação de algo de bom e um desejo subtil de fazer amor com a sua mulher.
Fiquei admirado quando soube que a meu amigo perdeu a mulher para uma dançarina clássica. E de clássica, ela teve de tudo: na arte de seduzir, na arte de enamorar e na arte de a fazer amor e, por fim, na arte de ser mulher e desejar mulheres.
Estive com meu amigo, a princípio, sem saber da facto ocorrido, e por isso, não entendia aquela olhar distante. Aquela garrafa de cachaça que ele desfazia aos poucos em pequenos goles com aquela expressão facial que a água era ardente e que descia queimando e destruindo o fígado.
- Trocado por uma dançarina clássica!!!
Ele falou do nada e foi o suficiente para entender o que se passava com aquele homem sem saber o que tinha ocorrido com a sua familia, seus filhos, seu pai e mãe, sua sogra. «Traído por uma dançarina» Não era um homem. A sua mulher mudou de opção sexual isso que era o mais chocante. Não se tratava de uma coisa simples para ele a cada gole que dava ele ia remendando o passado e a cada pedaço que vinha ao seu cérebro que era traduzido em palavras a traíção se mostrava por muito tempo bem antes do casamento que já se prolongava por mais de anos. Não se tratava de uma revelação somente, tratava de uma assunção de um amor que estava tão recolhido que o mundo não permitia que elas assumissem.
Pois, então, ele fazia conjecturas do sofrimento de ambos: dele e a mulher e dela, a mulher, e sua amante. E com isso, percebeu que ele é que estava a mais naquela relação. Ele que era uma espécie de satisfação social que ela precisava da como mulher ao mundo quando casara com ele. Ele tão tolo só percebera tudo aquilo de frente para a garrafa de cachaça e uma vontade de sumir.
Porto, 18/12/07
Domingos Oliveira de Sousa

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