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SEXTOU: EU SOU INOCENTE (PARTE 3)



DOMINGOS OLIVEIRA DE SOUSA

Quando saímos da boca com 600 mil reais nas costas e um acerto com um traficante. Eu pensei que a coisa iria parar por ali. Tínhamos que vender 20 quilos de cocaína em três ou quatro dias. Inicialmente, por um lado, fiquei preocupado em morrer de uma hora para outra, mas tinha aquele colar de traficante, talismã da vida pelo menos no bairro. Eu estava ficando muito barato. Por outro lado, percebi o quanto eu sou bobo. Queria impressionar Luíza com uma pedra de pó. Ela estava com 20 quilos e um monte de grana. Serei o primeiro a morrer nesta história? Luíza sempre está na minha frente e eu não sei como alcançá-la.

Entramos em um ônibus. Um calor insuportável depois que saímos do bairro. Luíza reclamou, mais uma vez e saímos do ônibus. “Vamos comprar um carro”.

Entramos no táxi. Ela pediu para ligar o ar-condicionado. Depois, pediu que levasse a concessionária dos carros ingleses que chamava a sua atenção.

Entramos na concessionária como dois curiosos. O vendedor não colocou fé naquele casal. Luíza perguntou quem era o dono da loja.

- Eu quero falar com o dono. Ela gritou. Gritou. Olhou para todos os lados. Os seguranças apareceram. Luíza já estava impaciente com o calor e com a falta de atenção do vendedor.

Ela olhou para o senhor que vinha de terno e gravata. Ela sabia quem era ele de algum lugar.

- O senhor é o dono desta concessionária?

- Sou. Conheço você de algum lugar?

- Desculpe. Estou impaciente. Quero comprar este carro e parece que sou invisível.

- Você já esteve em minha casa em Praia do Forte?

- Já. Respondeu rapidamente como que quisesse alguns segundos afim de que o celebro abrisse a caixinha da memória e a colocasse na estória de forma correta.

-Você, sua mãe em um dia de domingo.

- O senhor conhece minha mãe?

- Conheço. Ele sorriu. Venham para minha sala… Este mundo é pequeno.

Os sorrisos eram trocados e a conversa ficou amena; à medida que ela ia ligando os fios das familiaridades.

- Eu sou seu tio… esqueceu… menina… por parte de pai. Depois da separação deles, ficamos afastados, enfim precisamos nos reaproximarmos. Tenho saudades de vocês. Vou falar com seu pai que eu ti vi. Esta muito bonita e bem acompanhada. Como é seu nome?

- Novamente. Fred. Respondi.

- Quer alguma coisa.

- Água.

Ele mesmo serviu água para mim. Achei estranho, mas gostei.

- É a segunda pessoa que me chama de menina hoje.

- Quero comprar em dinheiro. Eu sei que é mais barato.

- Você guardou debaixo da cama?

- Guardei.

Depois de duas horas, ela saiu com o carro.

Vamos para casa de minha mãe. Já vendi 10 quilos. Aquele traficante vai comer na minha mão. Quando chegou à noite, ela vendeu mais 10 quilos. O carro era para sair de casa em casa para fazer as entregas.

Detalhe, teve gente que pagou a mais só para ela levar até o Litoral Norte.

Chegamos na boca bem cedo com o carro novo. Fomos descendo e Fernando nos recebeu. Jorge ficou olhando para nós sem acreditar.

- Vocês já venderam os 20 quilos?

- Luíza sorriu e disse que sim. Vamos conversar. Aqui, tá sua parte. Luíza entregou a Jorge uma sacola com 600 mil reais.

Jorge deu um segundo voto de confiança ao casal. Acertaram todos os ponteiros para a festa no condomínio. Jorge sempre foi desconfiado, mas ela procurava fazer de tudo para ele perceber que estava lidando com alguém que era séria no trabalho. Jorge não estava acostumado com o profissionalismo. Ele era mais dá intimidação.

Depois disto, firmaram a parceria.

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