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SEXTOU....



DOMINGOS OLIVEIRA DE SOUSA

Gritou a vendedora do abará! Seu slogan é memorável: “Pense num abará gostoso!” Há momentos que a coisa fica dúbia ou polissêmica. Ela fala. “SEXTOU!!! Hoje é dia do povo gastar dinheiro!!!” Ou seja, dinheiro na cesta, no bolso, no balaio. Repete “Pense num abará gostoso! ” Expõe o seu sorriso largo. Passa o freguês… repete a sentença “Pense num abará gostoso…” Olha para a mulher, que vem em direção para a compra do quitute baiano e sorri de forma provocante para vendedora. “Olha o tamanho deste abará”. Tem momentos que parece uma sugestão para um entendimento de um boceta gostosa. 

Fiquei com aquela sensação que faltava alguma coisa. Pensei que se tratasse de cocaína. Era um sufoco comprar pó. Tinha que ir a boca. O da esquina tinha tanta mistura que não valia a pena tanta emoção por um mistura estranha. Se fosse verificar a pureza daquele pó. Creio que 30%. O resto era mistura em cima de mistura. 

Eu tinha que comprar uma boa quantidade por bom preço e qualidade. O acerto era que eu desse conta do pó. “Missão dada, missão cumprida”. Ou seja, eu tinha que ir na boca. Tudo mais barato, qualidade e uma segurança razoável. Eu também queria impressionar Luíza. Poderia acontecer um sexo sem muita pressão nem aquele “toma lá, da cá”. Ou tudo isso era mentira. Eu queira mesmo era comer Luíza. Levaria pó, ácido, bala qualquer coisa que agradasse aquela mulher e em torca alguns beijos. Não queria que as coisas ficassem nestes termos, mas no fundo, no fundo, era isso. Ela não é boba. Ela sabe. Ela faz o jogo. “Quando eu chego de mão vazia, ela diz que tá com sono e diz que vai dormir”. E quem garante que vai para a cama dela? Pode ser que vá para outra cama que não seja a minha e que tenha algum pó.

A vida é assim. Vamos adiante!

Eu não gosto de drogas, mas sou solidários ao amigos e amigas. Quando entro na boca e vem todo aquele peso de gente que morre por aqui. Eu fico chateado. Fico tenso. Parece que o lugar cheira a sangue. O pó e a maconha têm uma transpiração de sangue: seja, o daqui da cidade de Salvador, e de onde veio. Quando vem aquele papo cabeça de paz e de natureza e vou me saindo por ser tudo mentira. A porra do pó tem cheiro de morte. Não tem cheiro de diversão. Agora na hora e não vou dizer nada. Vou comer aquela boceta.

Sempre andei pela Boca. Quando você percebe os olheiros. Acena para eles. Cumprimenta. Diz duas palavras, como se perguntasse, se tudo tá correndo bem. O sujeito olha para você e diz: “Vá na paz”. É uma especie de cartão azul para descer as escadas e fazer o”corre da droga”. Sei que a coisa tá diferente. Tá rolando chuva de bala. Você olha para o céu e vai procurando um drone, um helicóptero. Agora não tem som alto na boca. Tudo em silencio! Os caras você já conhece. Então, você tem sete garoupas, ou seja, 7 notas de 100:00 reais: duas notas de maconha, cinco notas para o pó. E aí SEXTOU!

Luíza não anda sozinha. Vem uma galera para ficar a noite toda. Fumando, cheirando e fudendo. Era esta o rotina. Sim, também rola umas bebidas, mas quem bebe a coisa fica mais louca ainda. Tem mulheres que levam a noite toda de cerveja e cocaína; ou cocaína e whisky . Rola também o sexo. Isso muito me interessa. Vou botar para fuder. Quando ela perguntar. “Tem pó?” Mostro a ela a pedra de 50 gramas. Pronto. O olho dela cresce. O final de semana tá garantido. 

O final de semana ainda não acabou! Eu volto...

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